Estudos Sociedade e Agricultura

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Luiz Flávio de Carvalho Costa

Casas de colonos

 

 

 

 

Fazenda Boa Vista, Santa Lúcia (SP), 1998. Fotografia de L. F. de Carvalho Costa.

Esta pequena aglomeração rural é vestígio de uma organização de produção já pouco freqüente. Em passado recente, a colônia – grupo de casas de colonos –, fazia parte constante da paisagem das médias e grandes fazendas do sudeste brasileiro para abrigar os trabalhadores rurais daquelas unidades de produção. O tamanho dos lotes permitia que parte da jornada de trabalho, especialmente nos fins-de-semana, fosse dedicada aos cuidados dos pequenos pomares, à criação de aves e porcos e aos cultivos do milho, da mandioca, de algum legume. No roçado predominava o trabalho feminino.

Em um certo trecho a estrada se torna uma rua, com as casas construídas sobre o seu alinhamento. Os dez prédios coloniais formam, cada um deles, duas residências geminadas com paredes de meação, acolhendo 20 famílias. Suas fachadas são uniformes, dando a perceber a simplicidade da técnica de construção baseada no trabalho escravo. O telhado de duas águas, com coberturas de telhas cerâmicas e sem calhas, deixa escorrer a chuva diretamente na rua e nos quintais dos fundos. Forma o pequeno núcleo residencial e de agricultura de subsistência o espaço de sociabilidade e de relações de vizinhança ao alcance da voz.

Podemos distinguir traços fortes da modernidade como a eletrificação e as marcas de pneu de trator. O mundo rural circundante é quase monótono do verde cana-de-açúcar, quebrado apenas pelas manchas de verde-escuro das pequenas áreas de proteção. A árvore seca e isolada faz parte de um mundo passado.

Estudos Sociedade e Agricultura, 17, outubro 2001: 161.